segunda-feira, 15 de abril de 2013

PARA REFLETIR...

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia...
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e não ver vista que não sejam as janelas ao redor.
E porque não tem vista logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora, logo se acostuma e não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz.
E, à medida que se acostuma, se esquece do sol, se esquece do ar, esquece da amplidão.
A gente se acostuma a acordar sobressaltado porque está na hora. 
A tomar café correndo porque está atrasado. 
A ler o jornal no ônibus porque não pode perder tempo.
A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos.
E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz.
E não aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: “hoje não posso ir”.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisa tanto ser visto. 
A gente se acostuma a pagar por tudo o que se deseja e necessita.
E a lutar para ganhar com que pagar.
E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer fila para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra. 
A gente se acostuma a andar nas ruas e ver cartazes.
A abrir as revistas e ler artigos. A ligar a televisão e assistir comerciais. 
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. 
A gente se acostuma à poluição, às salas fechadas de ar condicionado e ao cheiro de cigarros.
À luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam à luz natural.
Às bactérias de água potável.
À contaminação da água do mar.
À morte lenta dos rios.
Se acostuma a não ouvir passarinhos, a não ter galo de madrugada, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta por perto. 
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta lá.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua o resto do corpo.
Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana
E se no fim de semana não há muito que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem muito sono atrasado.
A gente se acostuma a não falar na aspereza para preservar a pele.
Se acostuma para evitar sangramentos, para esquivar-se da faca, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Marina Colassanti

Variar para agradar!

Nenhuma recurso, por mais ataente que seja, tem em si a capacidade de atrair por todo o tempo.  Engana-se quem pensa que pode seduzir seus alunos com um único material ou metodologia.  Um bom exemplo do que estou querendo dizer é o uso de fantoches.  Quando o professor apresenta um fantoche pela primeira vez, à sua turma, é uma verdadeira sensação!  As vezes seguintes poderão até ter um certo encanto. Mas se este professor utilizar este mesmo fantoche em todas as aulas, certamente experimentará a frustração de ver seu recurso perder o brilho.
Penso que o segredo seja variar para agadar! Diversificar. Trazer para a sala o elemento surpresa. Não precisa ser um recurso mirabolante, mas precisa causar um certo impacto.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

PROJETO EDUCACIONAL VINÍCIUS DE MORAES: LEITURA E ESCRITA



1-TEMA: LER E CRIAR É SÓ COMEÇAR


2-AUTOR: VINICIUS DE MORAES


3- OBJETIVOS:


Investigar a biografia de Vinicius de Moraes;


Discutir a importância de suas obras para a formação do aluno escritor/leitor.


Trabalhar os textos de Vinicius de Moraes como instrumentos a serem utilizados para desenvolver a formação do leitor/escritor de poesias.


4-DESENVOLVIMENTO:


4.1-Biografia do autor


Marcus Vinicius da Cruz Mello de Moraes, nasceu no Rio de Janeiro em 19 de outubro de 1913, em uma família amante das letras e da música talvez por isso tenha seguido as duas vocações.


Nos anos 30 formou-se em direito e fez várias músicas em parceria com os irmãos Tapajós.


Seu primeiro livro foi lançado em 1933 “O caminho para a distância”. Amigo de vários escritores como Manuel Bandeira, Mário de Andrade e outros, Vinicius publicou vários livros de poemas na década de 30.


Em 1943 foi para o exterior seguindo a carreira de Diplomata, depois de alguns anos percebeu que sua verdadeira identificação não era com o terno e gravata, mas, com poemas, sonetos e músicas, trocando assim o mundo erudito pelo popular.


Em 1954 inicia-se como teatrólogo escrevendo a peça “Orfeu da Conceição”, que mais tarde virou filme “Orfeu do Carnaval”.


Sua carreira como músico teve início a partir da década de 50 conhecendo alguns dos seus parceiros como Tom Jobim e Edu Lobo.


Vinicius ajudou a fundar o movimento que deu origem à bossa nova e passou a fazer samba com a mesma perfeição que escrevia sonetos.


Fez letras para algumas das músicas mais importantes do movimento como “Garota de Ipanema”, “Chega de Saudade” e “Eu sei que vou te mar”, todas em parceria com Tom Jobim.


Vinicius compôs músicas de temática afastada da bossa nova, como os afro-sambas “Canto de Ossanha”, “Canto de Xangô” em parceria com Baden Poweel.


Apesar do sucesso com a música, Vinicius não abandonou a poesia, tendo inclusive gravado discos em que recita suas obras.


Vinicius de Moraes é caracterizado por inovações na ordem formal, a mais notável destas seria o aparecimento de sonetos.


Seus poemas trabalham também com a felicidade e ou infelicidade.


Em 9 de Julho de 1980, no Rio de Janeiro, morre Vinicius de Moraes, chamado carinhosamente de “poetinha” pelos amigos.


4.2- Principais Obras


O caminho para a distância (Poema)


Nesta obra, o poeta expressa, com intensa angústia, a constante oposição entre matéria e espírito, da qual resulta a sensação de pecado. A existência terrena configura-se para ele como o caos, o abismo. Procura no misticismo a solução para esse embate. Esta é visão de mundo predominante em O caminho para a distância.


Ariana, a Mulher (Poema).


Este longo poema foi publicado como livro, despontando os primeiros sinais de sensualismo e erotismo que mais tarde caracterizarão a obra de Vinicius de Moraes.


Cinco Elegias (Poema)


A partir de Cinco Elegias, a poesia de Vinicius se transforma. Não tão longa revela uma maior liberdade de escolha e de expressão. Os temas desse poema lírico são, por excelência, agora concretos e do cotidiano; canta a mulher, o amor, o dia-a-dia e a valorização do momento, ao mesmo tempo em que busca algo mais perene, o que revela maturidade e matizes mais pessoais de inspiração.


Para Viver um Grande Amor (Crônicas)


Para Viver um Grande Amor é uma coletânea de crônicas, em sua maioria, para o jornal Última Hora durante os anos 50.


O Mergulhador (Poemas)


Este livro reúne grandes poemas de Vinícius de Moraes e fotos de Pedro de Moraes.


Antologia Poética (Poemas)


Os poemas reunidos nesta antologia são de épocas variadas e registram as diferentes fases por que passou o poeta. Vinicius não desprezou experiências poéticas ligadas a vanguardas do nosso século e, como outros artistas brasileiros, voltou-se com certa frequência a temas sociais, fazendo denúncia, mas mantendo-se sempre fiel à sua criatividade verdadeiramente poética.


Livro de Sonetos (Sonetos)


Essa obra traz uma outra face mais elaborada e introvertida do poeta, a do homem que tratava a palavra com requinte e manipulava os versos como se eles fossem uma sombra da presença divina e da perfeição. Nesses sonetos está a fina elegância do diplomata de carreira, a contensão cerimoniosa do poeta que diz tudo com meias palavras, o equilíbrio difícil de um homem que escreveu uma obra vasta na tentativa de ordenar o coração inconstante.


Orfeu da Conceição (Peça de Teatro)


Esta peça foi encenada em 1956 no Rio de Janeiro, mobilizou imprensa e público por atualizar um mito grego num cenário de morro carioca, ao som de belas composições de uma parceria que então estreava: Tom e Vinicius. Mais tarde esta obra virou o filme “Orfeu do Carnaval”, dirigido pelo francês Marcel Camus.


Arca de Noé (Poema)


Em a Arca de Noé o grande poeta Vinicius de Moraes, mostrou toda a sua criatividade e sua habilidade com as palavras, para compor um clássico da literatura infanto-juvenil. São poemas que falam na maioria de animais, que permaneceram no imaginário das crianças, rompendo gerações. A maioria dos poemas contidos neste livro foram musicados por Vinicius e Toquinho.


Em 9 de julho de 1980, no Rio de Janeiro, morre Vinicius de Moraes, chamado carinhosamente de “poetinha” pelos amigos.


4.3- Proposta de trabalho


O livro escolhido para desenvolver o projeto foi “Arca de Noé”.


Este livro é formado por 32 poemas, a maioria sobre bichos, é o único livro infantil de Vinicius de Moraes. Extremamente criativa, essa obra faz parte do imaginário de uma geração que foi criança no início da década de 80.


Em 1980, Vinicius começou a trabalhar com Toquinho na versão musical dos poemas.


O disco Arca de Noé foi lançado em 1980 e teve um segundo volume lançado em 1981.


Todos os poemas ganharam igualmente um ritmo encantador e alguns clássicos como “O pato” e “A casa” ainda são cantadas por crianças dessa nova geração, o que prova que a obra é atemporal.


Dentre os 32 poemas, foi escolhido “As Borboletas. Este poema nos fala da diversidade de cores e as características expressadas por elas nas borboletas”.


1ª Atividade


Contar para as crianças fatos importantes da biografia do autor e apresentar o livro “Arca de Noé”.


2ªAtividade


Ler para as crianças alguns poemas como “O pato”, “A casa”, e indagar se já os conhecem.


3ªAtividade


Deixar que as crianças manuseiem o livro, chamando atenção para a forma da escrita dos textos.


4ªAtividade


Comparar os textos escritos no livro Arca de Noé com textos de histórias, receitas e textos informativos, mostrando a diferença na tipologia da escrita.


5ªAtividade


Apresentar o texto: “As Borboletas”, fazendo a leitura.


As borboletas


(Vinicius de Moraes)


Brancas


Azuis


Amarelas


E pretas


Brincam


Na Luz


As belas borboletas.


Borboletas brancas


São alegres e francas.


Borboletas azuis


Gostam muito de luz.


As amarelinhas


São tão bonitinhas!


E as prestas, então…


Oh! Que escuridão


6ªAtividade


Levantar questões sobre a compreensão do texto, indagando se todas as borboletas são iguais, o que difere uma da outra, quais características são expressas em cada cor.


7ªAtividade


Propor uma produção escrita a partir dos versos do autor, onde a criança trocará a cor da borboleta e acrescentará uma característica a mais .


Ex. Borboletas ___________


São alegres, francas e ___________


8ªAtividade


A partir do texto, as crianças deverão substituir a borboleta por outro animal de acordo com as cores.


Ex. Borboletas brancas (trocar borboleta por outro animal que possa ser branco)


São alegres e francas.


9ªAtividade


Através de recorte e pintura, os alunos confeccionarão borboletas nas cores azuis, brancas, amarelas e pretas que serão presas no dedo das crianças.


10ª Atividade


Escolher algumas crianças para fazerem a leitura do poema enquanto outras deveram mover as borboletas confeccionadas quando a leitura mencionar a sua cor.



5.CONCLUSÃO

Esse trabalho me levou a pesquisar e conhecer um pouco da vida e obra de um dos grandes poetas da nossa literatura.


 Através da pesquisa tomei conhecimento de fatos importantes sobre a vida e obras de Vinicius de Moraes que para mim eram desconhecidos.


A obra trabalhada no projeto; Arca de Nóe já era conhecida, principalmente os poemas ,O pato, A casa e A foca .

Além das atividades propostas no trabalho, percebi a diversidade de conteúdos que podem ser trabalhados levando para a sala de aula um texto literário, o qual “com certeza” será de grande interesse da criança, já que fala uma linguagem simples e do cotidiano.

 Ao término desse trabalho acho que posso concluir que um projeto como esse tem grande importância para a minha formação, pois mostrou que posso formar escritores/leitores através da literatura, buscando com isso uma alfabetização mais criativa e dentro de um contexto mais próximo das crianças.

 



 

O desafio de ensinar a ler: Atividades que possibilitam a aquisição da leitura

Leitura de Letras


   1.   Bingo de Letras
Materiais: lápis, papel e cartões com as letras do alfabeto.
Procedimento: Cada aluno ou grupo de aluno recebe um pedaço de papel e escreve uma das palavras da lista trabalhada. O professor passa a sortear as letras, mostrando-as e repetindo seu nome várias vezes. Caso a criança ou grupo tenha a letra sorteada em sua cartela deverá marcá-la.  Vence aquele que marcar primeiro todas as letras da cartela.

Leitura de Palavras:

   2.   Bingo de Leitura
Materiais: lápis, papel e fichas com as figuras correspondentes as palavras da lista trabalhada.
Procedimento: Cada aluno ou grupo de aluno recebe um pedaço de papel, escolhe quatro palavras da lista e as escreve. O professor passa a sortear as fichas, mostrando-as e repetindo seu nome várias vezes. Caso a criança ou grupo tenha a palavra correspondente em sua cartela deverá marcá-la.  Vence aquele que marcar primeiro todas as palavras da cartela.

   3.   Preguicinha
Materiais: envelopes de colorset com abertura nas duas extremidades, cartões com palavras de uma lista já trabalhada.
Procedimento: Esconder o cartão no envelope e propor a adivinhação da palavra, mostrando lentamente ora a letra inicial, ora a letra final até que as crianças descubram a palavra escondida.